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Ética socrática

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Ética socrática, «na Grécia Antiga, um dos maiores expoentes sobre o tema em análise (tanto no que tange à sua vida como à teoria que elaborou) foi Sócrates — o patriarca dos sábios do Ocidente. Esse filósofo parte de uma premissa fundamental: “O homem é o Ser Moral, ou o Ser ético”. Isto significa, necessariamente, que o homem é o ser capaz de agir racionalmente, atuando dentro de parâmetros éticos»[C 1].

Cabe evidenciar que «esta, inclusive, foi uma das características que distinguiu este pensador dos demais: Sócrates não se preocupou com o Homem em seu aspecto individual, não propôs uma relativização. Quando Sócrates analisou o homem, buscou centralizá-lo e determinar o que de natural e de verdadeiro, de universal, efetivamente existe na natureza humana (nomeadamente, aquilo que é comum a todos os homens)»[C 2].

Sócrates, por sua vez, «tem outra postura diante da virtude; concebe-a como valor universal a que o Homem tem efetivo acesso pela investigação racional. O pensamento socrático é voltado para a determinação de conceitos teóricos ou de valores espirituais que tornam possível o conhecimento (teórico) e a ação (prática). Convém sublinhar, neste ponto, que Sócrates é o exemplo na Filosofia de coerência entre a teoria e a prática (pois pagou com a própria vida o preço de seus ensinamentos teóricos, tendo, inclusive, a oportunidade de negar tudo ou fugir)»[C 3].

Ele estabeleceu «uma articulação entre esses dois pontos, do seguinte modo: o homem vive e age em nome de princípios éticos universais. Isso significa que toda a ação é orientada pelo saber racional (isso implica que quem pratica o mal age, fundamentalmente, por ignorância). Este saber está fundado em cima da premissa: Conhece-te a ti mesmo. Esta premissa traduz o ato que cada ser humano deve fazer, mas que não fica apenas no plano individual. O filósofo grego tinha o objetivo de aprofundar o conhecimento da natureza humana. Quer isto dizer que seu maior objetivo não consistia em alcançar o conhecimento de determinado indivíduo, concretamente, mas o de alcançar um conhecimento geral que pudesse levar a humanidade a alcançar a verdadeira sabedoria»[C 4].

Ora, «este ponto do pensamento socrático é de extrema importância para o direito na medida em que seu interesse, sua busca pelo conhecimento universal tem repercussões práticas imediatas. Para Sócrates, há uma relação entre o conhecimento e a virtude. Deste modo, aquele que busca a verdade e a encontra não consegue mais agir em desacordo com ela (eis a razão por que acima se destacou que quem faz o mal, segundo este filósofo, age por ignorância, pois nunca alcançou ou contemplou a verdade). A virtude está intimamente ligada ao saber racional (que cada qual alcança, analisando-se a si próprio)»[C 5].

Referências

  • CUNHA, Alexandre Sanches . Introdução ao Estudo do Direito. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Saberes do Direito, vol. 1. ISBN 978-85-02-17424-5. p. 111-113.

Citações

  1. CUNHA, 2012; p. 111.
  2. CUNHA, 2012; p. 112.
  3. CUNHA, 2012; p. 112.
  4. CUNHA, 2012; p. 112-113.
  5. CUNHA, 2012; p. 113.